Ele acordou com o desejo de destruir algo belo.
Levantou. Lavou o rosto. Olhou-se no espelho e não reconheceu o que viu.
Saiu sem café. Perdera tal hábito desde que a namorada o abandonou. Ele ainda não entendia o porquê.
No caminho para o trabalho, trânsito. A tranqueira rotineira. O estresse de cada dia.
No trabalho, ligações, gritarias, xícaras inúmeras de café. Pausa pro almoço? Luxo. Comer qualquer coisa no trailer barato era mais do que se podia esperar. Mais café, pilhas de documentos.
Bater o cartão. Afrouxar a gravata. Trânsito e congestionamento. Estresse em dobro.
Casa. Copo de uísque. Tiro na cabeça. Ninguém ouviu o barulho. Ninguém estava lá.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Rotina
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Passa tempo.
Perdida entre jornais, palavras cruzadas, o filme na TV e reflexões sobre a vida. A madrugada é fria. O passatempo interminado na minha frente só traz à tona o que tenho vivido: a incapacidade de fazer algo direito. Se nem as palavras cruzadas eu consigo completar, o que será da minha vida. Tanto a pensar. Tudo é tão gris e eu me perco em meio a tudo isso. A ideia de mudança me motiva, mas a preguiça fala mais forte. A vozinha que fala “deixa pra lá” grita mais alto. E assim, abandono até as aventuras do meu livros. Esse é o retrato do que estou sendo: um fantasma perdido numa paisagem cinza, sem força suficiente para procurar algo melhor. Sem vontade suficiente para, num dia nublado, manter os olhos fixos no sol.
terça-feira, 11 de março de 2014
20
Pois é. Acabei de fazer 20 anos. O quão louco é isso?
V I N T E anos.
Eu, com 20 anos. Isso é muito estranho. Com grandes poderes, grandes responsabilidades. E eu não sei se estou pronta pra isso.
*
20 anos e estou indo embora de casa. Indo para uma cidade que eu não conheço, com pessoas que eu não conheço.
Vida universitária.
Morar sozinha.
Aprender a se virar.
Ficar longe de todo mundo que amo.
A ficha finalmente caiu.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Stuck on the puzzle
Embora eu já tenha “decidido” ir pra Pelotas e todos esperam que eu o faça, tem uma pessoa – só uma – que é capaz de me fazer ficar.
Tá certo que todos os meus amigos e familiares importam, mas só uma pessoa seria capaz de me fazer largar o certo pelo duvidoso, que é ficar aqui, sem garantia de nada, perigando queimar mais um ano.
Estava tudo certo e Pelotas está a menos de uma semana de distância. E agora, logo agora, ele vem cutucar aquela dúvida que ficou lá no fundo.
Vem com a lábia que ele sabe que tem, com os argumentos mais mirabolantes ou nem tanto, tentar me fazer me ficar.
Colocou Friends no meio. Disse que abriria mão de coisas pra me ver ficar. E eu fico sem ter pra onde correr. Só quero um ombro pra chorar.
Confesso que não entendo por que esse desejo tão grande de me fazer mudar de ideia. Mesmo. Porém, entendendo ou não, agora eu fiquei completamente perdida e não sei mais o que fazer.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Un deux trois
2014 chegou. Há tempos que não passo por aqui. Ou passo e não tenho o que dizer.
2013 – a.k.a um dos piores anos da vida – acabou. Muita coisa mudou. Ou nem tanto assim.
Reprovei no vestibular da UFRGS – de novo – e me vejo, atualmente, me mudando para Pelotas, pois é o único lugar que me resta para não queimar 2014, a menos que eu queira pagar uma universidade privada, o que eu sempre fui contra.
Estou indo para Pelotas – o que é louco porque eu sei que não vou conseguir me bancar por lá. Mas eu vou. Acho que é o que eu mais preciso nesse momento. Embora todos os meus amigos e família estejam aqui, não há mais nada aqui pra mim. Se eu ficar, verei todos avançando com suas vidas, mais uma vez, e eu estagnada no mesmo lugar.
Creio que eu precise sair da minha caverna. Ver o mundo em toda sua plenitude. If you feel just like a tourist in the city you were born then it’s time to go. Não sinto como se eu pertencesse aqui, então, como já diria o DCFC, é hora de ir.
Estou com medo porque é um grande passo. Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. Vou ter que colocar minha war paint e ir pra guerra.
Não posso queimar mais um ano.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Remember the monsters?– Aquele sobre o final de Dexter
Comecei a assistir Dexter em 2009. Meu pai locou os DVDs e assistimos o piloto juntos. Instantaneamente, fui com a cara daquele moço ruivo com o instinto assassino. Vi o personagem crescer e evoluir ao longo dos anos e, há alguns domingos atrás, dia 22 de setembro, vi a série chegar ao fim.
Pra começo de conversa, nenhum series finale é alegre. Não quando realmente se gosta da série. Rola aquele sentimento de perda forte. Ainda mais quando se trata de uma série longa. Pode ser frescura minha, mas no pré-episódio eu estava sentindo dores na barriga e uma baita vontade de chorar - que veio a se tornar muitas lágrimas mais tarde.
Depois de uma longa demora pra assistir o episódio - só consegui fazê-lo às 04 da manhã do dia 23-, eu o fiz. E toda aquela minha apreensão foi justificada. Eu tenho a mania inquieta de, enquanto assisto algo no computador, ficar o tempo todo checando as redes sociais. Durante este episódio, meus dedos não chegaram nem perto do alt+tab. Eu fiquei vidrada por todos os 56 minutos, depois de o primeiro logo da Showtime até os últimos créditos.
Enquanto o episódio não saía, eu acompanhei um pouco da repercussão do episódio na internet, principalmente pelo Twitter, onde o pessoal parecia bem desapontado com o fim. Minha apreensão ficou ainda mais foda, mas tentei manter o controle e maneirar a hype ou a influência dos outros sobre mim.
Dexter Morgan podia ter sido apenas mais um psicopata. Ele podia ter nascido no sangue e lá morrido. Mas não. Ele cresce, ele evolui. E tu não apenas vê tal evolução, tu sente ela e se sente parte dela. Nós vemos um Dexter Morgan que abandona o velho jeito de ser pelo amor que ele aprende a desenvolver. Inclusive, ele fala sobre isso no penúltimo episódio: "Eu vivi na sombra por tanto tempo, até que a escuridão se tornou meu mundo. Mas com o tempo, as pessoas em minha vida acenderam uma luz. No começo eu fiquei cego, era tão brilhante. Mas com o tempo meus olhos se ajustaram e eu consegui ver. E agora o que está em foco é meu futuro. Brilhante. Mais brilhante do que nunca.". Talvez essa ideia de um futuro brilhante se perca no último episódio, mas ver que essas pessoas conseguiram afetar e fazer a diferença na vida do Dex é lindo. Ver que isso contraria a ideia que a Vogel traz a todo o momento de que ele é um psicopata e não passa disso.
O final de Dexter é triste? Sim, o final de Dexter é MUITO triste. O final de Dexter é ruim? Não, de forma alguma se pode dizer algo assim. A série tem o final que merece ter. É o final que este novo Dexter merecia ter. Não consigo pensar em outra maneira de terminar isso. Algumas pontas podem ter sido deixadas soltas, mas isso afetou o principal? Não creio. Minhas perguntas foram respondidas. Não é um filme do Nolan onde tudo tem que estar exposto, nem na vida real é assim. Fechou do jeito que tinha de fechar.
Eu acho que a cara do Dex nas cenas finais com a Deb e depois no barco valem por tudo. Michael C. Hall soube colocar a emoção necessária em cada momento. Isso conseguiu tocar e convencer daquilo que ele sentia.
Não direi que foi "bom", pois não acho que seja a palavra adequada nesse momento, tendo em vista que eu não estou feliz. Não foi um final feliz. Estou satisfeita. Foi um fim inesperado. E fechou de maneira singular uma série que eu gosto tanto.
Goodbye, Dexter Morgan.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
The one where Jenni finds out
No episódio de hoje, Jennifer descobre que, ao contrário das séries que ela assiste, ela nunca vai fazer parte de uma casal como Robin & Barney/Rachel & Ross.
Todas as idas e vindas levaram a lugar nenhum. E é assim que a banda vai continuar a tocar.
Tampouco, serei um Ted da vida, que, eventualmente, acaba chegando ao ponto final da estrada.
São mais de cinco da manhã e o que eu digo não faz muito sentido, mas eu só sinto que devia dizer.